Copa do Mundo
Vitória · OficialBrasil6Polônia5
Strasbourg – França
França / Copa do Mundo
1938
A trajetória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1938: a história, os convocados e cada partida no acervo.
Terceiro lugar
01 / A história

A edição de 1938 da Copa do Mundo de Futebol marcou a terceira participação da Seleção Brasileira de Futebol no torneio.
A participação do Brasil foi elogiada pela imprensa da época. O Jornal dos Sports estampou na capa: "Que voltem os reis do futebol", enquanto se queixou das decisões da arbitragem no lance da domingada e lamentou a ausência de Leônidas na semifinal. [1] Os jogos contra os Tchecos ficaram conhecidos como a Batalha de Bordeaux.
O treinador foi Ademar Pimenta e o capitão Leônidas da Silva. [2] O Brasil terminou na terceira colocação. [3]
O Brasil convocou a melhor seleção que poderia formar. Em 1937, a CBD e a Federação Brasileira de Futebol se uniram e acabaram com o "racha" de 1934. A viagem com Barco a vapor durou doze dias. Foi a primeira copa com direito a transmissões de boletins do torneio pelo rádio.
Por não ser escolhida a sede, a Argentina liderou boicote dos países americanos. O Brasil não participou e acabou ganhando a vaga automaticamente, sem precisar disputar os jogos eliminatórios.
No jogo da estreia, uma vitória por 6 a 5 sobre a Polônia. O jogo transcorreu com uma ligeira chuva. Os brasileiros começaram melhor. Lopes entregou a Perácio que chutou na trave. Romeu serviu Leonidas para abrir o marcador. 1 a 0. Penalti de Domingos em Wilimowski. Scherfke cobra e empata o jogo. Leônidas passa a Romeu. 2 a 1. Lopes cruza e Perácio de cabeça. 3 a 1. No segundo tempo, a chuva aperta. Wilimowski chuta, a bola desvia em Machado, e engana o goleiro brasileiro. 3 a 2. Wilimowski empata o jogo nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. 3 a 3. Perácio em chute de longa distância. 4 a 3. A torcida está ao lado dos brasileiros e grita "Brasil! Brasil!". Wilimowski volta a empatar o jogo aos 89 minutos quando o campo era um lamaçal. A partida vai para a prorrogação. Passe de Romeu e Leonidas faz. 5 a 4. O goleiro polones bobeia, cobra o tiro de meta nos pés de Leonidas, que marca o sexto. 6 a 4. Wilimowski diminui aos 118 minutos, mas não há tempo para mais nada. 6 a 5. Para o Jornal dos Sports, Leonidas e Romeu foram as maiores figuras do Brasil. Domingos atuou com febre de 38 graus. [4]
No segundo jogo, o Brasil empatou com os Tchecos na partida conhecida como Batalha de Bordeaux. O Jornal dos Sports acusou os Tchecos de se excederam na violência: "Com outro árbitro ganharíamos o match". O Brasil atuou com 9 homens a maior parte do jogo. Três das quatro expulsões dessa edição da Copa aconteceram nessa partida (a outra foi do alemão Hans Pesser, aos 6′ da prorrogação do empate com a Suíça por 1 x 1). Zezé Procópio foi o primeiro, logo aos 14 minutos da etapa inicial, depois de dar um chute sem bola no atacante Oldřich Nejedlý. Aos 44′ do segundo tempo, Machado e Jan Říha trocaram agressões e também foram convidados a sairem do campo pelo árbitro húngaro Pal von Hertzka. A partida marcou a inauguração do novíssimo estádio Parc Lescure, em Bordeaux. Isso obrigou as duas delegações a fazerem longos percursos de trem. Os tchecos viajaram 521 quilômetros desde Le Havre e os brasileiros 758 quilômetros desde Estrasburgo (uma viagem de quase 12 horas). Passe de Perácio para Leonidas. 1 a 0. Aos 20′ da etapa final, Nejedlý e Šimůnek fizeram uma tabela no meio da área e Domingos da Guia tentou cortar com o peito, mas conduziu a bola com o braço. Pênalti indiscutível. Nejedlý cobrou e converteu. No fim da prorrogação, o empate por 1 x 1 persistiu. O equilíbrio da partida se refletiu nos númeors. Foram 118 ataques para cada equipes, de acordo com o Jornal dos Sports. O goleiro eslavo František Plánička havia jogado mais de meia hora com a clavícula deslocada após um choque com Perácio e o artilheiro Oldřich Nejedlý (goleador da Copa de 1934) tinha fraturado o pé direito. Ambos estavam fora da partida de desempate, marcada para apenas 48 horas depois. Do lado brasileiro, Perácio saiu arrebentado e Leônidas, que tanto apanhou, não tinha condições de jogo.[5]
Dois dias depois do empate por 1 x 1, Brasil e Tchecoslováquia voltaram a campo, mas com times bastante diferentes, em grande parte devido às contusões da partida anterior. Vlastimil Kopecký abre o score. 0 a 1. Senecký chutou rasteiro e Walter fez a defesa, mas a bola escapou de suas mãos e pareceu ter entrado cerca de um palmo no gol, antes que o goleiro pudesse puxá-la de volta. O árbitro francês Georges Capdeville não viu o segundo gol da Tchecoslováquia e mandou o jogo seguir. Patesko serve Leonidas. 1 a 1. Leonidas passa a Roberto. 2 a 1. [6]
Na semifinal, Leônidas contundido não atuou. Mário Filho criticou Leônidas: "Em 38, nem com o apelo da mãe dele, jogou contra a Itália. Disse que estava com uma dor aqui, o médico não via nada porque dor a gente não vê, não se pega, não se apalpa.".[7]
A Itália venceu por 2 a 1 e pôs fim ao sonho do primeiro mundial. Novamente, os brasileiros reclamaram da arbitragem. O Jornal dos Sports publicou na capa: "Sem Leonidas e contra o juiz O Brasil foi derrotado". O jornal publicou que o Brasil praticou 117 ataques enquanto a Itália produziu 109. A Itália deu 26 chutes a gol (6 para fora) e o Brasil 9 (7 para fora). Com 4 escanteios da Itália e 2 do Brasil.[8] A quantidade expressiva de finalizações ao gol pelos italianos corrobora o depoimento do falecido jornalista João Saldanha: "Os italianos poderiam ter vencido de goleada. Eu estava sentado atrás do gol do Brasil e vi nosso goleiro defender até pensamento. Fomos bombardeados." [9]
Após um primeiro tempo sem gols, Gino Colaussi abriu o placar para a Squadra Azzurra, aos seis minutos do segundo tempo em passe de Amadeo Biavati, o mais acionado em campo. Em seguida, Giuseppe Meazza aumentava a vantagem com um pênalti cometido por Domingos da Guia. Foi o terceiro pênalti de Domingos na competição. O lance foi polemizado pelos jornais alegando que foi erro do juiz. O pênalti foi confirmado pelo próprio Domingos da Guia, em entrevista à BBC: "O atacante italiano parou a bola e me olhou. Eu o desarmei, ele me deu um pontapé e eu revidei imediatamente. Esse foi meu erro. O juiz viu e marcou o pênalti.".[10] Romeu Pellicciari ainda descontou para o Brasil no finalzinho ao concluir escanteio cobrado por Lopes, mas não impediu a eliminação da seleção brasileira.
O Brasil estava tão seguro de ganhar a semi-final contra a Itália que requisitou o único avião para Paris no dia seguinte ao jogo. Depois de perder para a Itália, recusou-se a vender-lhes os bilhetes e a equipa italiana teve de viajar de Marselha para Paris de trem.[11]
Na disputa do terceiro lugar, a vitória sobre a Suécia por 4 a 2 deu o teceiro lugar ao Brasil na competição. Para o Jornal dos Sports, foi uma vitória fácil do Brasil. Brandão falha e Jonasson abriu a contagem. Andersson centra e Nyberg faz o segundo. Romeu em linda jogada individual, dribla três e diminui. 1 a 2. Roberto é derrubado na área, mas Patesko perde o penalti. Romeu cruzou para a área. Leônidas se antecipou e deu um toquinho para encobrir o goleiro. 2 a 2. Roberto passa a Leonidas, que chuta de longe, 35 metros de distância, para fazer o terceiro. Leonidas entrega a Perácio. 4 a 2. [12]
Um dos lances famosos da Copa do Mundo, foi o gol descalço que Leônidas marcou Contra a Polônia: “Cada jogador tinha apenas uma chuteira. O campo estava lamacento e a chuteira acabou arrebentando. Como eu tenho um pé pequeno, foi difícil encontrar uma chuteira para mim, para trocar com alguém da reserva. O uniforme do Brasil era uma meia preta, com friso verde e amarelo. O juiz não percebeu que eu estava sem chuteira, ou eu não poderia continuar jogando. Fiquei no campo até que apareceu uma jogada, veio a bola e eu acabei fazendo gol com pé descalço”. [13]
O lance mais discutido de competição aconteceu na semifinal contra a Itália. A Seleção Brasileira perdia por 1×0 quando aos 17 minutos da etapa complementar o italiano Silvio Piola provocou e Domingos da Guia cometeu uma penalidade infantil ao agredir o italiano fora do lance. Domingos da Guia garantia que o jogo estava parado e que a agressão foi um revide.[14]
O termo "domingada" ganharia um sentido pejorativo nos anos posteriores, como sinônimo de lambança, de surto de zagueiro. Embora inicialmente era um elogio para lances de alta categoria dos defensores. [15]
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Devido ao efeito preocupante do primeiro jogo, que viu vários jogadores se machucarem ou serem expulsos, ambas as equipes tiveram que fazer muitas mudanças em suas escalações (nove para o Brasil e cinco para a Tchecoslováquia). A Tchecoslováquia assumiu a liderança com Vlastimil Kopecký aos 25 minutos, mas no segundo tempo, o capitão substituto Leônidas empatou o placar para o Brasil. Logo depois, o árbitro anulou um gol de Karel Senecký, apesar dos jogadores tchecoslovacos afirmarem que ele havia cruzado a linha. O representante europeu continuou a atacar após esse momento, deixando espaço para os brasileiros contra-atacarem rapidamente, o que o estreante Roberto aproveitou para marcar o segundo gol de sua nação.[17]
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02 / A campanha
Oitavas de final
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Vitória · OficialStrasbourg – França
Quartas de final
Copa do Mundo
Empate · OficialBordeaux – França
Quartas de final · Desempate
Copa do Mundo
Vitória · OficialBordeaux – França
Semifinal
Copa do Mundo
Derrota · OficialMarseille – França
Disputa pelo terceiro lugar
Copa do Mundo
Vitória · OficialBordeaux – França
Partidas e números: acervo RSSSF Brasil.
03 / Os convocados
Clubes na época da Copa
Lista de convocados e clubes: Wikipédia. Inclui jogadores que não entraram em campo; os nomes com link levam aos perfis disponíveis no Museu.